terça-feira, 6 de abril de 2010


Homens são de Marte, mulheres de Vênus

Por Silvana Catto

Ao longo da história da humanidade, homens e mulheres sempre tiveram papéis muito distintos.
Desde sempre, o homem tem sido educado a estar na posição de "caçador" (e isso pode ser observado no próprio ato da caça, da busca pelo alimento). Por outro lado, a mulher teve o comportamento modelado para a passividade e para uma postura de espera. Outro fator determinante para o comportamento afetivo-sexual é o componente familiar. Cada grupo familiar se organiza de uma forma, distribuindo a cada membro (ainda que de forma não-verbal, sutil e implícita), papéis específicos e, muitas vezes, reforçando comportamentos construídos ao longo da história.
A partir disso, foi instalado o “desencontro”: enquanto a mulher tende a agir de forma emocional, criando expectativas, fantasiando um "vir a ser", o homem entrega os seus sentidos no "aqui e agora". Isso ainda é reforçado por fatores culturais, exigências externas e internas.

Embora a independência feminina tenha levado a mulher a desenvolver habilidades muito importantes para a sua sobrevivência e melhora da qualidade de vida, o arquétipo feminino da fragilidade e o ideal romântico ainda parece predominar. O que se vê é que, para grande parte das mulheres, aspectos filo-histórico-culturais ainda interferem na má resolução da autoestima feminina, comprometendo suas escolhas, em alguns momentos. Os homens parecem ser mais hábeis na realização pela satisfação imediata dos desejos, o que mantém a diferença.
É óbvio que as conquistas femininas nos mais diversos campos e o advento do feminismo contribuíram para uma alteração importante desses papéis e consequentemente, na relação homem-mulher. Embora a filogênese seja determinante nas reações de ambos, não há dúvidas de que as variáveis ambientais têm levado a uma construção de um homem e uma mulher diferentes.
É o que demonstra uma pesquisa realizada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, através do ProSex (Projeto Sexualidade), onde 8237 brasileiros adultos de ambos os sexos foram entrevistados. A constatação foi que, na faixa dos 30 anos, as mulheres se dividem entre conservadoras (querem estabilidade, acreditam no casamento e esperam pela iniciativa masculina) e liberais (praticam sexo sem compromisso, se permitem ser infiéis e participam de clubes de solteiras). Nas mulheres de até 40 anos, 40% conseguem separar sexo de afeto, confirmando portanto, a existência de um novo grupo feminino, capaz de ter parceiros eventuais.

As mulheres que buscam um parceiro eventual, não nutrem fantasias românticas e nem têm como objetivo o casamento. Estão se comportando à partir do modelo masculino, mais racional e prático. Não relatam experiências de sofrimento, perda, frustração. Sabem o que querem e exatamente em que terreno estão pisando.
Já as mais românticas, que nutrem o ideal de um casamento e de uma relação mais estável, conseguem se preservar mais quando cuida da sua autoestima. Uma mulher autoconfiante e consciente de seu valor está mais preparada para se relacionar afetivamente.
De forma geral, a mulher contemporânea está desenvolvendo recursos cada vez mais próprios para trabalhar as relações afetivas e suas perdas: se recompõe mais rápido para iniciar um novo relacionamento, se aperfeiçoa para se auto-sustentar, está se comunicando melhor no sexo. Da independência financeira à independência emocional uma nova mulher vem sendo construída. Características até então exclusivas do universo masculino estão sendo agregadas a essa nova postura. Bom humor, senso prático, desprendimento, capacidade de se beneficiar com o momento presente. Eles, por outro lado, começam a se sentir mais livres para expressar suas fragilidades e inseguranças, heranças desse movimento.

http://www.planofeminino.com.br/home/oquenosqueremos_cama.php

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